abril 17, 2026
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Feminicídios caem 5% em 2024, mas Brasil ainda registra 196 estupros por dia, aponta Ministério

Relatório destaca que mulheres negras enfrentam maior vulnerabilidade

número de feminicídios no Brasil registrou queda em 2024 em comparação ao ano anterior, segundo o Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (Raseam) 2025, divulgado nesta terça-feira (25), pelo Ministério das Mulheres, em Brasília. Foram contabilizados 1.450 feminicídios e 2.485 homicídios dolosos de mulheres, uma redução de 5,07% nos casos de violência letal contra mulheres. Em 2023, os registros somaram 1.438 feminicídios e 2.707 homicídios dolosos ou lesões corporais seguidas de morte. As informações são da Agência Brasil.

Os casos de estupro também aparecem no relatório, com 71.892 registros em 2024, equivalente a 196 ocorrências por dia. Apesar da quantidade elevada, houve uma queda de 1,44% em relação a 2023. O documento reúne dados oficiais e visa mapear a situação das mulheres no país.

De acordo com a ministra Cida Gonçalves, a diminuição dos índices foi ocasionada pelas ações do governo e pela contribuição da sociedade.

Isso significa que alguém está intervindo antes que o fato aconteça, que alguém está tomando uma iniciativa. É disso que nós precisamos: de uma sociedade que não se cale, que não diga que isso é só responsabilidade do Estado. Prioritariamente, é do Estado, mas é de toda a sociedade o papel de intervir, de ligar, de orientar e de falar sobre”, afirmou.

Perfil das vítimas e locais de risco

Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan/MS) mostram que 60,4% das mulheres adultas vítimas de violência, entre 20 e 59 anos, eram pretas ou pardas, enquanto 37,5% eram brancas.

O relatório destaca que mulheres negras enfrentam maior vulnerabilidade. A residência é apontada como o principal local de risco, com 71,6% das notificações de violência doméstica, sexual ou outras formas de agressão em 2023.

Homens são os principais agressores, representando 76,6% dos casos de violência doméstica ou sexual contra mulheres. O levantamento do Sinan/MS reforça a necessidade de políticas específicas para esses contextos.

Durante o lançamento do Raseam 2025, a ministra reforçou a importância de fortalecer políticas públicas para proteger mulheres, crianças e adolescentes.

Agora, o desafio é como manter o processo de diminuição [da violência]. Isso não significa que é para a gente se aquietar. Mas, significa que o que nós fazemos, com um pouco de recurso que nós temos, nós temos dado mensagens e obtido resultados”, declarou Cida Gonçalves.

Eixos temáticos e indicadores

O relatório aborda sete eixos temáticos, incluindo o enfrentamento à violência contra mulheres como um dos focos principais. Outros temas analisados são estrutura demográfica, autonomia econômica, educação, saúde, participação em espaços de poder e esporte. O documento reúne 328 indicadores de bases oficiais, um aumento em relação aos 270 indicadores de 2023.

Mulheres aparecem como maioria entre os responsáveis pelos domicílios no Brasil, segundo o Raseam 2025. Em estabelecimentos formais com 100 ou mais empregados, elas recebem, em média, 79,3% do rendimento dos homens. Nas eleições de 2024, 30,6% das candidatas a prefeita foram eleitas, superando o desempenho de 2020.

Os dados foram coletados a partir de 2022 e refletem o perfil socioeconômico das brasileiras. Conforme Cida Gonçalves, o relatório serve como base para políticas públicas e estudos.

O relatório vai nos ajudar a fazer o grande debate que nós precisamos nesse país. Nós queremos o feminicídio zero, mas nós queremos feminicídio zero com democracia com as mulheres e com igualdade, onde as mulheres, de fato, sejam iguais [aos homens] neste país”, finalizou a ministra.

Fonte: Muita Informação

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