Luiz Caetano (PT) e Flávio Matos (UB) se enfrentam novamente nas urnas no dia 27 de outubro, no município da RMS
O segundo turno das eleições em Camaçari deve ser marcado por um cenário de equilíbrio entre Flávio Matos (União Brasil) e Luiz Caetano (PT), conforme avaliação de cientistas políticos ouvidos pelo Portal M!. Na avaliação dos especialistas, o pleito não deve contar com um descolamento significativo nas intenções de voto entre os postulantes. A análise sugere que a campanha será decidida nos “detalhes”, além de antecipar, de alguma forma, a corrida eleitoral ao governo do Estado em 2026.
Conforme o cientista político Cláudio André de Souza, a disputa está na “casa da incerteza”, por se tratar de um pleito equilibrado. Um dos fatores que teria contribuído para esse cenário seria o fato de se tratar de uma eleição polarizada. “Então vai ser, praticamente, uma prévia de 2026. A gente vai ver o enfrentamento dos dois partidos, a região metropolitana vai se mobilizar como um todo, tanto de um lado quanto do outro. Vai ser uma eleição que vai importar muito a própria construção da relação direta com as lideranças, bairro a bairro, voto a voto, então é um grau de incerteza muito grande o que vai acontecer com o município de Camaçari”.
Ainda segundo a avaliação do especialista, o pleito é estratégico, sobretudo para o PT, visto que a sigla “nasceu e ganhou visibilidade na Bahia a partir do Polo Petroquímico de Camaçari”, e portanto, é um reduto histórico do partido.
“E a gente tem Flávio Matos, com todo o apoio de ACM Neto, dos prefeitos reeleitos como Bruno Reis, a prefeita eleita de Lauro de Freitas, Débora Regis, que faz divisa com o município, Mata de São João também, mais à frente com Bira da Barraca, que vai ser uma eleição interessante do ponto de vista da luta pelo voto”, enfatizou.
Ele também afirmou esperar um “debate de alto nível”, em torno das ideias e propostas para o município, que é considerado estratégico na Região Metropolitana de Salvador (RMS), inclusive no trabalho por parte do governo do Estado, que escolheu Camaçari para receber a fábrica da BYD. “Ali é um município estratégico na região metropolitana. E para o Governo do Estado. Entendo que deve ser um embate muito equilibrado, que vai ser decidido em alguns detalhes, a não ser que surja alguma polêmica, alguma questão de maior visibilidade, que seja impactante na opinião pública para os camaçarienses”.
Na mesma linha, o cientista político e consultor de relações governamentais, Marcelo Lima, avaliou que o resultado no município trará consequências importantes tanto para o PT como para o União Brasil, inclusive com vistas à 2026, sobretudo por conta da quantidade do eleitorado.
“Você conseguir controlar essas cidades, que são cidades chaves dentro do processo da eleição para governador. Então eu compreendo que, esse segundo turno, já trazendo aqui um panorama para esse segundo turno, vai seguir a realidade eleitoral do que foi o primeiro turno. Eu não acredito que um dos candidatos vá conseguir expandir sua margem sobre o outro. Eu acredito que as proporções vão se manter muito próximas”, afirmou.
“Eu não observo um descolamento de um dos candidatos no segundo turno, e dentro dessa importância também, desse resultado, eu acho que talvez Camaçari consiga antecipar um pouco do que a gente pode ver na Bahia em 2026, que é uma eleição para o Estado sendo decidida no segundo turno”, complementou.
Especialistas destacam desempenho de Jerônimo, mas apontam avanço da oposição
Fazendo uma avaliação dos resultados das eleições municipais no Estado, Marcelo Lima salientou que grupo governista conseguiu eleger ampla maioria dos prefeitos no Estado, enquanto a oposição, sobretudo o União Brasil, alcançou vitórias relevantes em algumas cidades, como Salvador, Lauro de Freitas, em que o PT se fazia presente há alguns anos, além da reeleição de Sheila Lemos em Vitória da Conquista e a vitória de José Ronaldo em Feira de Santana.
“O PT também sofreu uma derrota muito forte, que havia uma expectativa também de você conseguir, por parte do PT, se aproximar de Salvador. E por parte do União Brasil e dos outros partidos da base do prefeito, de expandir seu raio de influência para as cidades importantes, e Feira de Santana era uma delas. Então, apesar desse fortalecimento do nome de Jerônimo, que obviamente isso influencia para 2026 com esses mais de 300 prefeitos, eu acredito que essa conquista do União Brasil nessas cidades estratégicas representa um crescimento do projeto que o partido tem para a Bahia”, apontou.
Ainda segundo o especialista, o movimento traz influência grande para 2026, seja com Bruno Reis (UB) tentando o cargo de governador ou com o ex-prefeito ACM Neto (UB). “É uma situação que vale a pena a gente observar nos próximos anos, como é que esse resultado vai se manifestar, de maneira concreta, para a gente conseguir analisar se isso vai trazer realmente um fortalecimento para a base atual do governo e para o PT. Para os demais partidos de base, ou se a gente vai ver um fortalecimento da oposição do governo”.
Já a avaliação de Cláudio André é de que o grupo governista saiu “vitorioso” das eleições municipais, elegendo 309 prefeitos. “A gente consegue ver um trabalho muito sólido da base aliada, inclusive com a chegada de um partido importante, que é o Avante, que consegue, ao lado do MDB, chegar com muita força nessa eleição municipal”, afirmou.
Por outro lado, o especialista também apontou que o resultado do União Brasil é “muito mais favorável” nas grandes cidades, fator que gera um “equilíbrio político”. “O governo tem muitas prefeituras, no entanto, a oposição do União Brasil e os aliados conseguem governar as maiores cidades. Então, isso acaba gerando um equilíbrio político como a gente viu nas urnas na eleição de 2022”.
Fonte: Muita Informação

